Fleury compra Saha e dobra vertical de infusões

O Fleury acaba de comprar a Saha, dona de duas unidades de infusões de medicamentos imunobiológicos e de um hospital-dia focado em cirurgias de baixa complexidade, como ortopédicas e bariátricas. 

O Fleury pagou R$ 120 milhões pelo negócio, que fez uma receita de R$ 156 milhões no ano passado.

A transação vai dobrar a receita da vertical de infusões de medicamentos imunobiológicos do Fleury, que a companhia construiu ao longo dos últimos anos com a aquisição do Centro de Infusões Pacaembu em 2020 e o desenvolvimento de uma operação interna com a marca Fleury. 

O Saha tem duas unidades em São Paulo, na Bela Vista e em Osasco. O hospital de baixa complexidade tem 30 leitos e cinco salas cirúrgicas. 

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do Fleury de construir um ecossistema de saúde que atenda o cliente em diferentes pontos da jornada. 

Nos últimos cinco anos, a companhia fez 14 aquisições — cinco deles em novos negócios e o restante em medicina diagnóstica. O Fleury comprou, por exemplo, a Vita, de ortopedia; o Centro de Infusões Pacaembu; e a Clínica de Olhos Moacir Cunha, de oftalmologia. 

A transação tem sinergias óbvias: o Fleury vai ganhar mais escala na vertical de infusões, o que dará mais poder de barganha na negociação de medicamentos com as farmacêuticas.

Além disso, as novas especialidades que o Fleury tem adicionado normalmente geram uma receita adicional para o negócio core de medicina diagnóstica. 

“Na clínica Vita, por exemplo, 60% de todos os clientes que tratam lá fazem os exames diagnósticos em algum laboratório do Fleury,” a CEO Jeane Tsutsui disse ao Brazil Journal. “Essa integração é muito interessante porque, além de gerar receita adicional, faz com que a experiência do paciente seja mais fluída.”

O Fleury está com outras negociações abertas tanto em medicina diagnóstica quanto em novos negócios, incluindo as especialidades que a companhia já opera e outras novas.

O CFO José Antonio Filippo disse que a empresa ainda tem bastante espaço para financiar essas aquisições com dívida. O Fleury fechou o primeiro tri com uma alavancagem de 1,4x EBITDA. 

“Além disso, todas as aquisições que fazemos já são operacionais, então elas trazem EBITDA para a empresa,” disse ele. 

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O Fleury também anunciou hoje seus resultados do primeiro trimestre, que ficaram mais ou menos em linha com a expectativa do mercado. 

A receita líquida foi de R$ 1,2 bilhão — um recorde histórico para a companhia — com uma alta de 21%. A margem EBITDA teve uma pequena queda, de 1,9 ponto percentual, para 30%, assim como o lucro líquido, que caiu de R$ 118 milhões para R$ 110 mi.

Segundo o CFO, o principal motivo para a queda do lucro foi o aumento das despesas financeiras, que mais que dobraram de um trimestre para o outro, passando de R$ 30 milhões para R$ 65 mi.

Como parte relevante da dívida do Fleury é indexada ao CDI, a alta dos juros teve um impacto relevante nessa linha.

Filippo disse que apesar da queda da margem EBITDA, o resultado foi positivo dado o cenário inflacionário do Brasil. 

“Temos feito uma gestão muito focada na redução de custos e conseguido diluir com o crescimento da receita,” disse ele. “Em todas as aquisições que fazemos trabalhamos muito esse aspecto.”

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