Impasse no IBAMA já custa 80 mil barris/dia – mas prejuízo ainda pode dobrar

A paralisação dos funcionários do IBAMA, que há cinco meses trabalham com a chamada “operação padrão”, já custa mais de 80 mil barris/dia ao setor de petróleo.

Esta perda de produção — o equivalente ao tamanho da Prio — representa uma queda de faturamento de US$ 200 milhões/mês para a indústria petroleira, considerando um preço do barril de US$ 82. 

O Governo também perde grande: como o barril é taxado em 54% na média, cerca de R$ 600 milhões estão deixando de entrar nos cofres públicos a cada mês.

Os números, estimados pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), ainda podem aumentar mais nos próximos meses – se o Governo não achar uma solução para o impasse.

Na “operação padrão”, o ritmo das atividades é reduzido até esgotar o prazo máximo das solicitações – mas as licenças continuam sendo emitidas. 

Mas se a categoria entrar em estado de greve a partir de segunda-feira – o que já foi decidido em assembleia há cinco dias – o IBAMA vai paralisar todas as atividades, afetando dezenas de projetos e escalando de forma brutal o custo econômico do movimento. 

A decisão afeta pelo menos sete estados, incluindo o Rio de Janeiro, onde atuam os profissionais que dão as licenças para o setor de óleo e gás. 

A estimativa do IBP é que, com a greve, os impactos financeiros para o setor e a economia podem dobrar.

A Ascema-RJ, a associação que representa os servidores do Ibama do Rio, disse que a greve é uma resposta ao fim das negociações com o governo.

“Os servidores ambientais estão há meses lutando por uma reestruturação justa da carreira e melhores condições de trabalho,” disse o diretor da entidade, Leandro Valentim.

“A falta de diálogo por parte do governo nos levou a esta paralisação, que infelizmente aprofundará os já significativos impactos em diversos setores, especialmente no de petróleo e gás.”

Os servidores sabem seu poder de pressão sobre o Governo – e o estrago que estão causando às empresas reguladas.

Num tom quase de ameaça, a entidade publicou um comunicado listando todos os projetos que seriam impactados pela greve, um levantamento extenso que inclui desde projetos de novas produções até levantamentos sísmicos, passando pela interligação de poços aos sistemas de produção.

“A greve pode resultar em atrasos na entrada em operação de plataformas programadas para 2024 e 2025, assim como na interligação de cerca de 30 novos poços às unidades de produção previstas ainda para este ano,” disse a entidade. 

“Na área de produção, são 12 empreendimentos que dependem de licença prévia do IBAMA, além de três que aguardam a licença para instalação.”

Um desses projetos é o desenvolvimento do Campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos. Operado pela Equinor, só esse projeto tem investimentos previstos na ordem de US$ 8 bilhões.

Abaixo, a lista completa de projetos que seriam afetados:

Perfuração 

PRIO –Wahoo 
Petrobras – CM-477 
Petronas – CM-715 
3R– Papa Terra 
BW – Campo de Golfinho 

Produção 

Petrobras

Etapa 3 do Pré-sal –Licença de Instalação do FPSO P-78, Campo de Búzios 6 

Etapa 3 do Pré-sal –Licença de Instalação do FPSO P-79, Campo de Búzios 8 

Etapa 4 do Pré-sal – Licença Prévia 

SEAP – SEAL Água Profundas – Licença Prévia

Revitalização do Campo de Albacora – Licença Prévia

Revitalização dos Campos de Barracuda e Caratinga – Licença Prévia 

Equinor – DP do Campo de Bacalhau – Licença de Operação
Trident – Polo Pampo e Enchova – Licença de Instalação
Perenco – Campo de Carapeba West – Licença Prévia
BW – DP do Campo de Maromba – Licença Prévia
Equinor – Campo BM-C-33 – Licença Prévia
PRIO – Campo de Wahoo – Licença Prévia
Enauta – Sistema de Produção Antecipada (SPA) do Campo de Oliva – Licença Prévia
Bravo – Instalação de um FSO – Licença Prévia
OSB – Gasoduto Rota 4C – Licença Prévia
OSB – Gasoduto Rota 5B – Licença Prévia e Pesquisa Sísmica Marítima
Spectrum 

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia do Potiguar

Pesquisa Sísmica 3D Nodes OBN – Bacia de Campos Pesquisa Sísmica 3D Nodes – Água Marinha, Bacia de Campos

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia da Foz do Amazonas 

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Pelotas Fases, Bacia de Pelotas

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Pelotas 3D Fase 2, Bacia de Pelotas

Pesquisa Sísmica Marítima 2D – Pelotas 2D – Fase 4, Bacia De Pelotas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Pelotas Sul, Bacia De Pelotas

Atividade de Aquisição de Dados Sísmicos 3D – Projeto Norte Campos 3D, Bacia de Campos 

PGS

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Programa Pirambu-Norte,Baciade Sergipe/Alagoas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Programa Amapá-Belém, Bacias de Pará-Maranhão e Foz do Amazonas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Programa Pelotas-SW, Bacia de Pelotas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Programa Pelotas-NE, Bacia de Pelotas 

WesternGeco

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia do Ceará

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia de Pará-Maranhão

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia de Pelotas (extensão)

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia de Pelotas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia da Foz do Amazonas 

Petrobras 

Atividadede Pesquisa Sísmica Marítima 3D OBN – Fuji, Andurá e Monai, Bacia do Espírito Santo

Pesquisa Sísmica Marítima 4D Nodes e PRM – Cluster 2, Bacia de Santos

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D OBN – Amapá Águas Profundas, Bacia da Foz do Amazonas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D Nodes – Cluster BC Águas Profundas, Bacia de Campos

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 4D Nodes – Cluster BS, Campo de Búzios, Bacia de Santos

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 4D Streamer– Campo de Jubarte, Bacia de Campos

Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D Nodes – Campos de Marlim Leste, Marlim Sul, Barracuda e Caratinga, Bacia de Campos 

TGS

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacia do Ceará

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Bacias do Ceará e Potiguar 

CGG

Aquisição de Dados Sísmicos 3D – Projeto Espírito Santo Fase V, Bacia do Espírito Santo

Pesquisa Sísmica 3D Nodes – Projeto Jabuticaba, Bacia de Santos

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Projeto Santos e Pelotas Fase XI, Bacias de Santos e Pelotas

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Projeto Megabar Extensão, Bacias de Barreirinhas e Ceará

Pesquisa Sísmica 3D – Projeto Pelotas Sul, Bacia de Pelotas

Aquisição de Dados Sísmicos 3D – Projeto Nebula Fase E, Bacia de Santos

Pesquisa Sísmica 3D Nodes – Projeto Açaí, Bacias de Campos e Espírito Santo o Pesquisa Sísmica 3D Nodes – Projeto Pitanga, Bacia de Campos

Pesquisa Sísmica Marítima 3D – Projeto FZA Fase II, Bacia da Foz do Amazonas

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