Suzano entra no mercado têxtil comprando 15% da Lenzing 

A Suzano acaba de fazer uma aquisição estratégica que marca sua entrada no mercado de têxteis, uma aposta de que a celulose vai substituir cada vez mais as fibras fósseis como resultado da busca por roupas sustentáveis. 

A companhia dos Feffer anunciou agora de manhã que está comprando 15% da Lenzing, uma das mais tradicionais empresas de fibra celulósica destinada à produção de roupas. 

A Suzano está pagando € 230 milhões à fundação austríaca B&C pela participação, e terá a opção de comprar mais 15% entre o primeiro ano depois do closing da transação — esperado para o final deste ano — e o final de 2028.

A Suzano está pagando € 37,25 por ação da Lenzing, um prêmio de 15% sobre o preço de tela, e celebrando um acordo de acionistas com a B&C, cuja participação na Lenzing cairá de 52,2% para 37,2%. 

A Lenzing vale € 1,28 bilhão na Bolsa de Viena. 

Se a Suzano exercer o call mais adiante, ela se tornará a maior acionista da Lenzing com 30%, seguida da B&C, que passaria a ter 22,2%. 

O CEO Walter Schalka disse que o negócio representa uma continuação da estratégia da Suzano de ampliar seu mercado endereçável e aproximá-la do consumidor final.  Neste downstream, a Suzano já fabrica papéis e embalagem e é a líder em papel higiênico no Brasil com as marcas Neve e Mimmo.

A transação também é uma aposta da Suzano num mercado que cresce mais rápido do que seu mercado core, de papel para escrever. 

Hoje, 78% das roupas fabricadas no mundo são feitas com fios de origem fóssil, como o poliéster. Outros 15% são feitos com fios vegetais, como o algodão. Os 7% restantes vêm de fibras florestais como a viscose. 

A Lenzing é uma das três maiores fabricantes deste tipo de fibra, ao lado de uma empresa da Indonésia e outra da Índia. 

A transação anunciada hoje vem sendo costurada há dois anos entre a companhia brasileira e a fundação austríaca, em conversas bilaterais que não envolveram outros concorrentes. O negócio não teve assessores financeiros.

Depois de inventar o mercado de celulose no Brasil em meados do século passado – quando Max Feffer começou a pesquisar formas de fabricar papel usando a fibra do eucalipto – a Suzano vem experimentando com o potencial de novos materiais desde sempre.

Tanto a Suzano quanto a Lenzing são acionistas de uma startup finlandesa, a Spinnova, que pesquisa materiais sustentáveis para a indústria de têxteis – mas a tecnologia ainda não atingiu viabilidade comercial. 

A médio prazo, a Suzano também vê o potencial de substituição da fibra longa — a mais usada pela Lenzing hoje — pela fibra curta, que vem das florestas de eucalipto da companhia brasileira e tem um custo de produção menor. 

A transação vem nas semanas finais da gestão de Schalka, que depois de 11 anos na cadeira de CEO será substituído por João Alberto Abreu em 1º de julho.

A transação também acontece num momento em que a atenção do mercado está voltada para uma potencial oferta da Suzano pela International Paper, um negócio que derrubou a ação da Suzano nas últimas semanas com o mercado temendo que a empresa pague caro e entre num mercado de margens menores.

A Suzano fechou o pregão de ontem valendo R$ 64 bilhões, perto da mínima do ano, apesar da disparada do dólar para o patamar de R$ 5,35 nas últimas semanas, o que normalmente valorizaria a exportadora.

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